Se sou mais que uma pedra ou uma planta?
Não sei.
Sou diferente.Não sei o que é mais ou menos.
Fernando Pessoa.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Insônia, ou, relato de uma noite em claro.

Abro os olhos, não há luz lá fora.
Não há canto de pássaros, nem pios de corujas.
Silêncio.
O relógio, 3:40 da manhã.
Aconteceu outra vez, acordei!
Ideias mil.; a mil...
A mente cansada o corpo desperto...ou seria exatamente ao contrário.?
Tento contar carneirinhos e quando menos espero eles estão a conversar comigo, a filosofar sobre a (in)utilidade de andar em rebanho, sobre a necessidade de termos sempre um pastor a nos guiar,sobre minha tolice de contar carneirinhos...
Percebo que estou a dar trela para bichinhos imaginários.Tento distrair-me com arte, cultura,meus livros prediletos, as estórias que eles contam, Alice, Narizinho, nazismo, fascismo, religiões, lembro que o jornal de ontem elegia um novo famoso da hora, pestanejo contra a sociedade do espetáculo e do consumo, o sistema capitalista, o comunista , o socialista, e todos os sistemas  que obrigam o indivíduo a dormir tranquilo apesar de tudo isso.
Respiro.
Chego a conclusão de que, melhor mesmo é afundar o mundo e fundar uma sociedade alternativa, imediatamente lembro do Paulo Coelho, que já teve esta ideia junto com o  Raulzito...
Concluo que não deve ser uma boa gastar minhas energias....
Não pelo Raul  que matou a sí mesmo , mas pelo outro que matou a VeroniKa e disse que foi ela quem decidiu morrer.
O mundo anda sem nenhum sentido ultimamente.
O relógio: 4:20.
Gritos de porcos sendo assassinados.
O fedor do frigorífico que acelera suas atividades toma conta do ar...
da casa, de cada canto...
O rio aqui perto de casa está morto também...putrefato.....
Decomposto....
Quem fará poesias para um rio morto?
Tragédias no mundo inteiro,violência, narcisismo, o ser humano repetindo guerras,
criando armas cada vez mais potentes para manter a paz....ora, as armas possuem uma única finalidade, a morte violenta, inesperada...determinada pela força e poder.
Todos sabemos que guerra é o oposto da paz.
A inteligência humana evoluiu muito mais que sua consciência, que seus valores éticos e caminhamos para a auto-destruição.
4:50.
Chega! Não aguento mais!
Levanto.
Escovo os dentes e olho no espelho.
Penso: Estou louca! ...(Mesmo assim não consigo conter um sorriso, quase que involuntário, do tipo que só os idiotas e loucos possuem.) Percebendo isto, escondo o sorriso, como deve ser, pois ninguém deve rir da própria estranheza, decido que realmente bateu a nóia e melhor procurar um médico que indique umas cápsulas de noramalidade prá mim.
Ligo a tv.
Procuro um programa idiota , encontro tantos que demoro para me decidir entre um canal e outro, o que me desvia da intenção de salvar o mundo e criar teorias sobre ele...
Vai ver é isso...o mundo está embrutecido, emburrecido com tanta banalidade televisiva, tanta mídia, tantos mundos e muros virtuais.
Amanhece....o mundo desperta,
o barulho dacidadecãesgatoscarroescolasapitosgenteacriançaquechoraavelhaqueora...
O caos.!!!!!
E da noite insone, resta em mim o pesadelo que é dormir acordada.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

É assim que nos querem.

Nos querem sempre
convenientes,
convincentes,
coniventes,
calados ,
padronizados,
1+ 1,
ponto e vírgula, de preferência sem nenhuma reticência.
Nos querem rima,
narrativa,
descrição,
nunca ficção,
Nos querem tic-tac,
fantochinhos,
preto e branco,
sempre em fila,
cheios de tudo e vazios de si mesmos.
É assim que nos querem.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Para encantar a vida, ou, coisas que me encantam...

Pó de pirlimpimpim,
Estrelas brilhando no céu,
a música favorita no ar,
bolhas de sabão.
Para encantar o dia...
borboletas a borbolear,
fadas, gnomos, duendes...
Nuvem de algodão doce,
palavra escrita no chão..
Beijo de terras distantes,
abraço de quem esta perto...
para encantar o mundo...
sorriso sincero,
alma leve,
primavera.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sakineh

Pedras,
Palavras,
bombardeiam a pele,
sangram os sentidos,
rompe-se dentro do corpo o filete de sangue que escorre através da ferida ainda aberta.
Cenário interno de guerra, externo de caos e chão.
Nenhum esboço de cor.
Nenhuma tentativa de coêrencia.
Alma exposta, a mercê...
de ouvidos que não ouvem os pedidos de clemência e de paz.
Ausência  de humanidade, de inteligência...
Ausência de Deus,
Pedras...
Não são elas as culpadas...as pedras.
São as mãos que as manipulam que decidem usá-las para  edificar ou destruir.


Me causa náuseas a condenação de um ser humano á morte por apedrejamento( qualquer uma que não seja natural é revoltante) Quer dizer que para estes loucos estranhos e equivocados, apedrejar alguém indefeso,em público, até a morte é correto? Queria não acreditar nisso, é triste e indignante demais.Fico sem palavras, a melhor tradução para o que sinto é um misto de frustração e nojo.
E ainda há gente que pensa poder mudar o mundo com comida e cultura...esses casos me matam aos poucos.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Parem o mundo eu quero descer...

Minha pressa ariana de viver faz com que eu cometa inúmeras bobagens.
 Erro sempre.
Quando falo,
quando não falo,
quando misturo a cor prá fazer um marrom, lá me surge um amarelo..
E agora que pensei em escrever algo bem lógico ou bem poético, estou aqui a misturar ideias desordenadas.
 Erro sempre! Sempre há alguém a me dizer...
Respira, você precisa aprender a andar no rítimo....das pessoas, das estruturas, da coisa pública, das leis de trânsito, da roda que anda, do mundo que move.
Há muita ordem, muitas convenções para que possamos acertar...
Sempre há uma definição exata para quem é louco ou normal, para o que é erro o que é acerto. Tudo agrava-se no momento em que chegamos a conclusão de que o que é maravilhoso para um pode ser horrendo para o outro.
Dou mil voltas dentro do meu mundo interior antes de externá-lo e no final desta olimpíada interna o que resta ou o que surge é este esboço mal feito de mim mesma.E por mais que eu pense estar certa ao meu respeito...
Erro sempre!
Então permitam-me o erro!
Para que eu possa acertar.
Permitam-me ser eu mesma.!
Para que eu possa viver!

Ou parem o mundo que eu quero descer!