Se sou mais que uma pedra ou uma planta?
Não sei.
Sou diferente.Não sei o que é mais ou menos.
Fernando Pessoa.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Encantador de letras




Aquele poeta brinca com as palavras, com tamanha liberdade
que assemelha-se à criança a brincar com seu brinquedo favorito.
Ao seu lado, legiões de sentimentos desorganizam-se e tornam-se outros eternamente,
E aqueles dedos que acariciam a pele da mulher, também ferem fundo a alma,
Também dizem das maldades e dos medos que o mundo nos oferece...
E pelas ruas, onde passam seus pés,  trôpegos de palavras não externadas, ficam impressas as marcas do caminho já percorrido,
das noites povoadas de solidão,
da eterna doação de si mesmo para o nascimento de mais uma poesia,
para o amanhecer de mais um novo dia.
Dia este que domina com a habilidade de um maestro a espera do som perfeito...
E de tanto encantar, o poeta, vê-se encantado e ele e a poesia já não são diferentes
são a mesma coisa e outra coisa o tempo todo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010



Nada parece estar em ordem sob minha pele.
A cabeça, pesada de idéias e algum vírus afim,
Ressaca musical e ainda ouço cada integrante da banda,
São trinta e três,
Cada sopro de sax,
Schopenhauer na mesa, e estes pensamentos que se cruzam
sempre haverá a mão dupla,
sempre haverá a contramão,
E escrevo apenas porque algo me impele, não há o que dizer.
Todos os erros já foram cometidos,
Todas as palavras já foram escritas,
E estes dias inacabáveis de calor e dúvidas,
E esta eterna procura por palavras que me tragam a cura.
Nunca houve ordem sob a minha pele.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O mundo é um ovo.

                                                            




NOVO ANO
NADA NOVO
O OVO, A CASCA,
DE ONDE SAIMOS
CONTINUA SEMPRE CONTÍNUA
SEMPRE INQUEBRÁVEL.....
.


     É no instante em que sonho meu próprio sono,                          
     que despeja-se em minha alma toda esta tinta.
     Tudo cabe na tela ou na página em branco...
                            Acordo,
`   E além das cores que carrego impressas em meu corpo,
    Existem estes poemas presos em meus olhos,
    Torno-os palavras e então voamos livres,
    feito pássaros ao despertar.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Silêncio...

Que bate,

Que toca,

Que invade e preenche
O meu com o seu vazio,

Silêncio...

Tão gritante esta
 minha necessidade,
de estar em silêncio..

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Natal.




O tempo passa...
E como que por encanto,
estão todos a contar luzes
com seus olhos de pisca-pisca.

domingo, 28 de novembro de 2010

Fome.

Na padaria da esquina,
a menina,
vende sonhos embrulhados em papel  nostalgia.





.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

.



Fico bem,
quando tudo transborda em poesia...



...

Chá de poejo.

Os dias de silêncio são da escrita, da tinta.
Os dias de vazio, são os que transbordam em  cores e  letras.
Nada é vazio portanto.
Mas quem é que arrisca dizer a verdade?
São tantos motivos fingidos... ( que o vazio até me parece confortável)
Tanto intelecto onde não há...( que as palavras até me parecem desnecessárias.)
O ciúme doentio que seca as águas doces...
O sal que resta, salgará quantos pratos? quantos peixes, que já não mergulham no mar?
A brasa que queima ainda,
resto da fogueira que  foi,
aquecerá mãos, ou restos de animais?
Aquecerá amores regados a vinho, ou lareiras solitárias na madrugada?
E o chá de poejo servido...
será o som da tua voz em meu ouvido...?
ou apenas líquido que derrama e queima a pele e os sentidos?





.

Sobre as palavras que são elas mesmas...

.

Sempre penso uma
e falo outra
coisa...
Sempre falo uma e
compreendem outra
coisa...
E se falo apenas coisas, este fato já basta para que meu dizer seja
nada,
branco,
feito página pedindo para ser tingida...
feito boca pedindo para ser beijada.

..

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Personagem.

Desejava ser Macabéa a ponto de não me importar
Porém vejo-me Ismália, a ponto de enlouquecer...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ismália ou Macabéa.

Tenho tido olhos diferentes para o mundo  nos últimos anos.
A cada dia percebo mais a finitude e a inutilidade desta corrida materialista que nos consome e impede de ver que o único motivo da vida é viver, e que no fim, o silicone  e a mortalha Armani viram pó, bem como indivíduo que os usava.
A única coisa que diferencia um morto do outro é sua vida.
Entre  buscar a distância saudável entre  eu e eu mesma, impedindo que estas loucuras todas me desdobrem em inúmeras, resultei-me esta:
Estranha, inquieta ...com necessidades de compreender o ser humano, porém as voltas com a dificuldade em conviver com este espécime diverso.
Tem locais em que simplesmente flutuo...pairo acima... sou Antoine Roquetin tomado pela náusea,
Preciso de doses módicas de contato humano...para logo após fechar-me em mim mesma e assimilar este contato...compreendê-lo, digeri-lo.
Nem de longe depressão...a cada dia sinto-me mais feliz por fazer parte desta vida e mundo.
Um céu estrelado me basta,
O teo riso...
O que me assusta é isso!
Ser feliz com tão pouco,
Não querer ser feliz o tempo todo,
Sentir-me bem em minha pele e não desejá-la outra...
A sociedade não concebe indivíduos assim...
Não deseja que sejamos simples e desprovidos de pressa...
Precisamos o tempo todo ser melhores, de preferência os melhores, mais ricos, mais desejados, mais corretos e blá...
Estes não são os meus quereres, são de outros e de outros e de outros ainda....que lógica há nisso tudo então?
Em algum momento esqueci que deveria representar.  Desaprendi  toda a peça teatral, as falas e os gestos...
O que me assusta, é a culpa que sinto por ser assim...
Por não ser mais uma excelente personagem ...por já não querer ser, por já não saber como ser...
Por ter este eu, tão grudado em minha própria pele.
E a solidão é quem me suporta....quem me permite tamanha utopia.
É este o preço.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Insustentável leveza do ser, ou, Hoje, neste momento exato, o presente me parece leve.

Hoje, a tarde me chega calma, em tons pastéis...
A fumaça, desfaz, remove e move as impressões de céu ainda impregnadas em minhas mãos.
As folhas, indiferentes às estações, como que dançam sob o sol...
Despreocupadas com sua finitude...
Alheias a qualquer platéia...apenas são...apenas dançam a música do universo.
As páginas, abertas, a espera de algo que as pinte...de um suspiro que as signifique.
Nas paredes, as cores que saíram de mim.
Resquícios de sentimentos regurgitados, mal resolvidos...
Prendam-se os vermelhos sangue nas paredes!
Pretendo agora, apenas o voo de qualquer pássaro ou borboleta...
Apenas as cores, que me traçam gente simples e sem muitos esboços.
Hoje, quero ser  aquela tua amada não louca...
Quero deixar a tarde passar sem desenhar elaboradas estórias traçadas a giz...,
que a chuva sempre apaga,
e o que resta no fim é nada...
e o que resta no fim são sempre as já choradas lágrimas e a já conhecida loucura.
Hoje, permitirei apenas a superfície clara e este azul em mim.
Hoje, pretendo apenas a poesia das sensações que já foram e do dia que já não é.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Primavera em mim...

Chove lá fora,
Primavera aqui dentro,
Algumas flores despetaladas desprendem-se ao tempo...
Um encontro afoito na porta antiga,
Dois pássaros molhados que insistem em cantar...
A manhã passa lépida,
A poesia é estado
liquido feito a chuva...
Desliza, toma forma e deforma-se,
Restam estas letras tortas, porém carregadas de perfumes,
de outras eras, de outras iras já quase escassas...
Restam ainda aqueles mesmos jardins da primavera passada,
todos com suas novas flores, todos com seus antigos tons.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sem título.

Acho que vou construir uma casa na árvore!
No meio do mato, onde o som seja o do vento, do ar , do mundo natural.
Nada de musiquinhas grudentas eleitorais.
Nada de cuecas cheias de dinheiro.( e o povo apenas a observar.)
Nada de jornais noticiando o último crime do dia,ou a última cor do esmalte da moda. ( Pasmem, mas outro dia no jornal,ao meio dia, a comentarista passou do assassinato de uma criança para as novas tecnologias oferecidas por empresas que produzem esmaltes, com uma naturalidade espantosa!)
Seria uma tentativa de distrair o telespectador e livrá-lo de uma idigestão certa,após um cardápio de notícias ruins?
Não sei....dizem que ando paranóica.
Dizem também, que ando meio chata com esta mania de desesperança.
Dizem que o mundo tem jeito, mas também que termina no ano que vem...
Também que sonhar é preciso, mas quando sonho,dizem: acorda, Alice!
Acho que serei esta eterna adultescente, querendo morar numa casa na árvore.
E querendo sempre mais árvores, sempre mais verdes, sempre mais pássaros e folhas que levam poesias ao vento...ao espaço , neste mar onde misturam-se ondas e gentes.
Preciso de internet, é claro! Ninguém é livre de determinadas necessidades contemporâneas!
No mais, tinta , pincel,e um papel que me aceite.
Nada de televisão!
Me intriga o poder que detém este meio de comunicação. Um monopólio de informações dividido entre esta e aquela rede poderosa.
Elegem e derrubam  governos!
Nos intervalos uma dança rebolattion ou resultado de futebol.
Repito que, acho isso tática marqueteira  prá não dar tempo de muito pensamento!
Para nos enfiar goela abaixo o nível de Q.I. que pretendem nos permitir.
Definitivemente na minha casinha da árvore, nada de tv a cabo, parabólica, hd, dvd notícias ruins e afins...
Óbviamente, que a casinha será aqui no quintal de casa e vai dar prá ver uns filminhos escolhidos a dedo , vez ou outra...
Enfim, acho que todos mereciam uma casinha na árvore para fugir, abstrair ou ficar em compania de si mesmo.
Sentir-se! Ser!
Livrar-se da mídia, dos pré-conceitos, das pressas,
Viver por instantes na casinha da árvore na floresta do alheamento.
Depois como manda a etiqueta, descer cuidadosamente as escadas até tocar novamente os pés no chão, e esperar o próximo capítulo da novela ( ou seria do novelo?) que desenrola-se no senado.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Eu, depósito da poesia que fui.

Tenho tido bloqueios para escrever poesia.
Já não quero mais escrever sobre a pressa, sobre a vida, filosofias vãs e conceitos falhos.
Minha memória poética está temporariamente em branco, assim feito a palheta de cores.
O mundo real terá me vencido?
Para poder seguir, teria eu apagado tudo?
Confesso que é mais comodo não sentir!
Muito mais fácil ser outra, fingido que ainda sou eu... ou ainda, ser eu fingindo ser outra.....
Torno-me menos alvo a espera da seta.
Cansei das noites de insônia e dos olhares enviesados...
Cansei de ser eu sempre a estranha a quebrar as normas,
a dizer verdades que depois me fazem sentir mal...(mesmo sendo verdades.)
Não estaciono mais diante de uma flor no jardim...( Não quero mais que me pensem borboleta)
Não fico comentando com alguém o por do sol...
não falo mais o que sinto sobre o pulsar da rua de pedras com a casa abandonada,
não fico a discutir com os outros teorias sobre arte e amor.
Tenho sido uma pessoa agradavelmente normal, porém, esta normalidade é o que paira entre minha alma e pele ocupando o espaço da poesia.
Colorir o dia,
ressignificar o feio, tripudiar o belo,
Destruir conceitos absolutos...
Pensar, acreditar e viver em um mundo diferente mesmo que seja o "Meu".
É isso que me move, que me mantém..
A vida sem poesia é um mundo sem cor.
A realidade sem poesia, é a tortura de uma pequena morte diária...
Uma música sem som...
Já nem sei, se sou quem fui um dia ,ou se amanhã ainda serei eu mesma.
Já nem sei em qual gaveta guardei aquele bilhete em branco que estava sob a mesa.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Insônia, ou, relato de uma noite em claro.

Abro os olhos, não há luz lá fora.
Não há canto de pássaros, nem pios de corujas.
Silêncio.
O relógio, 3:40 da manhã.
Aconteceu outra vez, acordei!
Ideias mil.; a mil...
A mente cansada o corpo desperto...ou seria exatamente ao contrário.?
Tento contar carneirinhos e quando menos espero eles estão a conversar comigo, a filosofar sobre a (in)utilidade de andar em rebanho, sobre a necessidade de termos sempre um pastor a nos guiar,sobre minha tolice de contar carneirinhos...
Percebo que estou a dar trela para bichinhos imaginários.Tento distrair-me com arte, cultura,meus livros prediletos, as estórias que eles contam, Alice, Narizinho, nazismo, fascismo, religiões, lembro que o jornal de ontem elegia um novo famoso da hora, pestanejo contra a sociedade do espetáculo e do consumo, o sistema capitalista, o comunista , o socialista, e todos os sistemas  que obrigam o indivíduo a dormir tranquilo apesar de tudo isso.
Respiro.
Chego a conclusão de que, melhor mesmo é afundar o mundo e fundar uma sociedade alternativa, imediatamente lembro do Paulo Coelho, que já teve esta ideia junto com o  Raulzito...
Concluo que não deve ser uma boa gastar minhas energias....
Não pelo Raul  que matou a sí mesmo , mas pelo outro que matou a VeroniKa e disse que foi ela quem decidiu morrer.
O mundo anda sem nenhum sentido ultimamente.
O relógio: 4:20.
Gritos de porcos sendo assassinados.
O fedor do frigorífico que acelera suas atividades toma conta do ar...
da casa, de cada canto...
O rio aqui perto de casa está morto também...putrefato.....
Decomposto....
Quem fará poesias para um rio morto?
Tragédias no mundo inteiro,violência, narcisismo, o ser humano repetindo guerras,
criando armas cada vez mais potentes para manter a paz....ora, as armas possuem uma única finalidade, a morte violenta, inesperada...determinada pela força e poder.
Todos sabemos que guerra é o oposto da paz.
A inteligência humana evoluiu muito mais que sua consciência, que seus valores éticos e caminhamos para a auto-destruição.
4:50.
Chega! Não aguento mais!
Levanto.
Escovo os dentes e olho no espelho.
Penso: Estou louca! ...(Mesmo assim não consigo conter um sorriso, quase que involuntário, do tipo que só os idiotas e loucos possuem.) Percebendo isto, escondo o sorriso, como deve ser, pois ninguém deve rir da própria estranheza, decido que realmente bateu a nóia e melhor procurar um médico que indique umas cápsulas de noramalidade prá mim.
Ligo a tv.
Procuro um programa idiota , encontro tantos que demoro para me decidir entre um canal e outro, o que me desvia da intenção de salvar o mundo e criar teorias sobre ele...
Vai ver é isso...o mundo está embrutecido, emburrecido com tanta banalidade televisiva, tanta mídia, tantos mundos e muros virtuais.
Amanhece....o mundo desperta,
o barulho dacidadecãesgatoscarroescolasapitosgenteacriançaquechoraavelhaqueora...
O caos.!!!!!
E da noite insone, resta em mim o pesadelo que é dormir acordada.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

É assim que nos querem.

Nos querem sempre
convenientes,
convincentes,
coniventes,
calados ,
padronizados,
1+ 1,
ponto e vírgula, de preferência sem nenhuma reticência.
Nos querem rima,
narrativa,
descrição,
nunca ficção,
Nos querem tic-tac,
fantochinhos,
preto e branco,
sempre em fila,
cheios de tudo e vazios de si mesmos.
É assim que nos querem.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Para encantar a vida, ou, coisas que me encantam...

Pó de pirlimpimpim,
Estrelas brilhando no céu,
a música favorita no ar,
bolhas de sabão.
Para encantar o dia...
borboletas a borbolear,
fadas, gnomos, duendes...
Nuvem de algodão doce,
palavra escrita no chão..
Beijo de terras distantes,
abraço de quem esta perto...
para encantar o mundo...
sorriso sincero,
alma leve,
primavera.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sakineh

Pedras,
Palavras,
bombardeiam a pele,
sangram os sentidos,
rompe-se dentro do corpo o filete de sangue que escorre através da ferida ainda aberta.
Cenário interno de guerra, externo de caos e chão.
Nenhum esboço de cor.
Nenhuma tentativa de coêrencia.
Alma exposta, a mercê...
de ouvidos que não ouvem os pedidos de clemência e de paz.
Ausência  de humanidade, de inteligência...
Ausência de Deus,
Pedras...
Não são elas as culpadas...as pedras.
São as mãos que as manipulam que decidem usá-las para  edificar ou destruir.


Me causa náuseas a condenação de um ser humano á morte por apedrejamento( qualquer uma que não seja natural é revoltante) Quer dizer que para estes loucos estranhos e equivocados, apedrejar alguém indefeso,em público, até a morte é correto? Queria não acreditar nisso, é triste e indignante demais.Fico sem palavras, a melhor tradução para o que sinto é um misto de frustração e nojo.
E ainda há gente que pensa poder mudar o mundo com comida e cultura...esses casos me matam aos poucos.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Parem o mundo eu quero descer...

Minha pressa ariana de viver faz com que eu cometa inúmeras bobagens.
 Erro sempre.
Quando falo,
quando não falo,
quando misturo a cor prá fazer um marrom, lá me surge um amarelo..
E agora que pensei em escrever algo bem lógico ou bem poético, estou aqui a misturar ideias desordenadas.
 Erro sempre! Sempre há alguém a me dizer...
Respira, você precisa aprender a andar no rítimo....das pessoas, das estruturas, da coisa pública, das leis de trânsito, da roda que anda, do mundo que move.
Há muita ordem, muitas convenções para que possamos acertar...
Sempre há uma definição exata para quem é louco ou normal, para o que é erro o que é acerto. Tudo agrava-se no momento em que chegamos a conclusão de que o que é maravilhoso para um pode ser horrendo para o outro.
Dou mil voltas dentro do meu mundo interior antes de externá-lo e no final desta olimpíada interna o que resta ou o que surge é este esboço mal feito de mim mesma.E por mais que eu pense estar certa ao meu respeito...
Erro sempre!
Então permitam-me o erro!
Para que eu possa acertar.
Permitam-me ser eu mesma.!
Para que eu possa viver!

Ou parem o mundo que eu quero descer!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Nada.

Hoje quero dizer nada!
Apenas escrever sem pretensão alguma, já que as letras começam a causar comichões e ataques de insanidades.
Quero pensar nada!
ser nada!
desejar nada!
Estar leve,
voar...
Me sentir livre.
Sentir o sol amarelo cobrir meu corpo de calor...
o mate quente aquecendo minha boca..
ouvir este som de brasa na boca de um dragão.
hoje eu quero nada.
e tenho certeza , assim serei tudo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

ACID.

Pessoal.
Descobrí que sou perita em causar confusão mental ...
O problema é que jamais encontro solução exata para minhas questões.
Então apaguei alguns posts e coments.
Perdoem-me.
Serei mais amena nas próximas postagens.( ou não...rsrs)
Beijos a todos.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Quase.

Meias palavras...
portas semi-abertas
ideias quase certas
concepções em construção...
Poesia invade a obra
os tijolos...alguns são falhos
e a edificação torna-se perigosa...
A hora quase esta,
a pessoa quase certa...
O beijo um desejo.
A realidade, frio do inverno
que o fogo aquece.

sábado, 5 de junho de 2010

IMOBILIDADE.

Em determinados momentos da vida somos tão estupidamente iguais....
diante das diferenças....
diante das injustiças...
diante de tudo aquilo que não concordamos e não temos força, coragem ou vontade para mudar....
Em determinados momentos somos apenas briquedos,
engessados em nossa própria mesmice.
presos em uma superfície qualquer.

Uma pincelada de sarcasmo.

A arte é estranha ás vezes, ou os meios são estranhos ás vezes...ou melhor ainda os artistas são estranhos quase sempre.
Os meios nunca justificam os fins...
E os finais...nunca se sabe se serão felizes.
Nestes últimos dias tenho presenciado uma carnificina cromática nos meios artísticos.
E meus questionamentos a respeito da arte já são tão amplos que esta análise contemporânea que se faz de o que É ou não É arte me parece ultrapassada.
Tenho questionado....para que SERVE a arte e QUAIS OS OBJETIVOS DE QUEM FAZ? O que legitima um indivíduo como " ARTISTA"???? Seria seu diploma, sua postura ou sua capacidade criativa diante da arte?
Parecia-me ,há tempos idos, que produção artística possuía como objetivo principal a disseminação dos meios pacificos de manifestações, onde cada um envolvia-se realmente com seu processo de criação e  na construção de seu caráter conceptivo em relação a arte e este não deveria oscilar entre o nome do momento e as cores da moda.
Sinto a arte perder-se na feira das vaidades e o indíviduo corrompendo-se por efêmeras páginas de jornal...
Mais papel....mais árvores mortas.....mais lixo fingidamente intelectual.
SENHORES! Ou a arte tem sido tão complexa de se produzir neste século de informações, que tão pouco se vê, ou tenho que concordar com os que me dizem utópica e finalmente admitir.: O mundo é para os cênicos e ser verdadeiro está realmente fora de cogitação.

sexta-feira, 14 de maio de 2010



                                  

...................

 Há um samba que me batuca o peito

Uma cor que me traça a boca,

Há um tango que me envolve as pernas,

Que me desdobra em rosas,

Há um som que me desperta á noite,

Um dedilhar que me conduz ao sonho

Há tua voz que me faz poemas.....

quinta-feira, 6 de maio de 2010

            Se as palavras estão dentro de mim.....
   
                        Liberto-as.!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Sinto um poema preso na garganta....
E este sufocamento letrado me obriga a escrever, mesmo sem ter muita certeza...
Mesmo sem ter muita noção.
É sempre assim em mim:
As palavras quando querem, dão-se vida própria e batem em minha porta,
ora para sair, ora para entrar...
Fico entre abrir e fechar, neste constante sufoco,tentando organizar este fluxo verbal
antes que transforme-se em caos este meu mundo que as palavras ditam.
Em momentos soam calmas e dóceis, como menina bonita que sai a passeio...
Em outros amargas e solitárias como se pronunciadas por um velho bêbado...
Mas são elas, sempre elas, que me libertam da alma que me habita e do corpo que me prende.!

sábado, 1 de maio de 2010

Um dia frio.

Café passado...
Mais um inverno que chega...
O vento frio, cortante...
A lenha que estoura...
As palavras que saltitam pele afora....
O dia que se esvai em paz com as cores.
A fumaça que sobe mundo acima.
O silêncio,
A solidão,
Sou inverno agora...
Meu calor é apenas semente
deste líquido que bebo.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Arte, sentimentos e definição da complexidade....... ou como diria o DU! puro blá blá blá artistico sem cabimento.

Venho querendo falar sobre arte ultimamente, até para poder contar um pouco das minhas concepções.
Mas tratando-se de arte é melhor deixar tudo na subjetividade, ao bel prazer do expectador.
Arte não explica-se. Sente-se,esta é sua maior finalidade:
Provocar sentimentos.
E o mundo anda tão carente de sensibilidade...o resgate do sentimento humano é a única coisa que pode salvar o mundo!
Não que as pessoas não sintam ultimamente, sentem! E sentem muito! A questão é, o que fazer com os sentimentos que a realidade provoca...como separá-los na gaveta da alma. Sentir raiva, ódio, cansaço,medo e depois de sentir, como trancá-los as sete chaves?
Como deixar livre apenas  alegria, amor, carinho, cuidado, depois de  ver a criança que morre de fome, o ladrão de galinhas que vai preso junto com o assassino de gentes?
Como externar compaixão, perdão e compreensão em relação aquele indivíduo que sobrepõe o crescimento financeiro á preservação ambiental, neste momento em que o mundo explode em catástrofes, que aos avarentos olhos humanos não passam  apenas de sinais?! Corrupção, violência, insegurança...como fazer para sorrir?
Eis o motivo pelo qual não consigo falar de arte, pura e simplesmente. Sentir é complicado!
Explicar sentimentos é impossível.
O mesmo sentimento é outro, no outro.
Nem mesmo a morte certa é igual para todos.
Não possuo discernimento suficiente para falar da arte pura, verdadeira...
não consigo externar tão grandioso conceito que carrego impresso em minha mente.
Arte é vida, é contradição, são sentimentos que voam sem explicação entre espaços e gestos que apenas a tinta consegue traçar.
A arte não se define, é móvel...mutável...atemporal...
É algo simples que perde-se e transforma-se na complexidade do mundo, tornando-se complicada então.
Enfim...a vida  é uma arte, e viver não se explica...se vive.!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Poética da Cor.

Estou postando umas fotinhos , coisa que não é muito comum neste blog. Mas quero dividir um pouquinho do meu trabalho.
Sempre gostei de arte e literatura, penso que esse gostar deve ter vindo junto com meu manual de instruções, quando nasci...quase todas as folhas do manual perderam-se...deterioraram-se. Mas o amor á arte veio impresso também na alma.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Pensação.

Tenho pensado sobre o tempo....
Sempre pensei, mas agora de uma forma diferente.
Quem sabe a idade nos faz percebê-lo de forma mais impositiva,ou nossa percepção é quem muda, independentemente das rugas.
E o tempo nos oferece a vida e nos aproxima da morte.
Isso me faz pensar, que a morte é apenas outro estado de vida, tipo o branco e o preto.O ar e o vento.
Penso também que a morte deve ser branca, pois nesse mundo a situação está cada vez mais preta.
Não sinto medo de morrer, mas pena de deixar de viver.
Sinto, só em  pensar na morte, saudade das cores, dos cheiros, dos sons...até mesmo de algumas gentes!
E  meu grande problema tem sido justamente as gentes!
Tem dias que penso ter nascido para ser árvore,
Quando criança, pensava que realmente poderia mudar o mundo.E esse desejo movia meu moinho de tempo.
Descobrí agora,que não era o mundo que eu queria tanto mudar, eram as pessoas.
Descobrí também, e por tempos esta descoberta me assustou e deprimiu, que você pode mudar quase tudo, as cores de uma tela, a cor dos seus olhos, o tamanho da sua roupa, dos seus seios ou de outras cositas, os amigos,religião, costumes e gostos mas não, definitivamente não tente mudar uma pessoa.Pessoas mudam por sí mesmas e não para satisfazer nosso desejo, não para serem aquilo que gostaríamos.
Não é a melhor forma de você gastar seu tempo.
E tenho pensado no tempo ultimamente assim....
O que ainda posso mudar em mim, já estes galhos e folhas teimam em crescer e me transformam em floresta?
Agora que descobrí que o melhor mesmo, é cada um cuidar do seu jardim?
Cada um, gosta de um tipo de flor.
Meu jardim por exemplo, aceita todo tipo de ervas daninhas e gosto dele assim.
Organizadamente desorganizado pela natureza, diria a Ana.
Enfim...
Tenho pensado tanto,que nem percebo o tempo que acaba de passar, em alta velocidade  por mim...
Um ano após outro e assim será até o fim.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ou sonho, ou devaneio.

Viver todos os dias, tem dias que dói-me,
enerva-me...
a flor da pele desabrocham sentimentos, que há séculos faço submergir.
viver todos os dias, me põe em órbita...alucina...
confunde minhas quatro estações.
Gostaria  de por momentos, apenas por alguns momentos, tirar férias de mim mesma.
libertar a alma,
recuperar a calma...e depois tranquilamente voltar a viver.
Meus sonhos, tem vezes , são doentes em busca da cura...
Meu cérebro pede clemência e já não me deixa dormir, para que eu não possa sonhar.
Meu coração já possui um nervo ótico , de tanto tentar me enxergar.
E meus olhos vêem tudo isso sem nem mesmo piscar.
Tem dias, que viver todo o dia dói.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Solidão ...

Expor a alma em ganchos,

Preencher com ela paredes vazias,

e ficar a mercê daquilo que os outros pensam....ou não.

Mergulhar de cabeça num rio feito de cores e letras, muitas vezes beira a loucura.

A distância entre as realidades é grande e já não pertenço a este ou áquele mundo....

Transito apenas entre todos os lugares e lugar algum...e me sinto só.

E minha arte desprendeu-se , pendurou-se...fala por si mesma...e me sinto só.

Uma solidão tão profunda  e triste ....me faltam as cores libertadas...ou um lugar onde eu possa descansar.

Qual será o sentido disso tudo.?

Destas palavras que escrevo para aplacar a dor...

Não durmo ou sonho...sigo apenas.

e me sinto só.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Qualquer Música

Hoje acordei com desejos de ser outra.
Outra pessoa.
Ou O Pessoa, que era tantos,
que tornou-se vários.
Fiquemos com ele então...


Qualquer música, ah, qualquer,
Logo que me tire da alma
Esta incerteza que quer
Qualquer impossível calma!

Qualquer música!- guitarra,
Viola, harmônio, realejo...
Um canto que desgarra...
Um sonho em que nada vejo....

Qualquer coisa que não vida!
Jota, fado, a confusão
Da última dança vivida...
Que eu não sinta o coração!

Fernando Pessoa.

terça-feira, 9 de março de 2010

Tudo em paz

O  mundo anda tão barulhento ultimamente, todos gritam, ninguém ouve...
quem ouve não compreende, pois tem seu intímo também a gritar.



Silêncio...
Que bate,
Que toca,
Que sem dizer preenche,
a mente e a alma
Silêncio,
Tão gritante esta minha necessidade,
Só assim recupero a calma.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Viver é para os cênicos ou para os cínicos?

E tem dias, sinto-me virando gente, real, calculista...
As árvores, já não balançam mais poesias em suas folhas.
Os pássaros, apenas gritam uma algazarra involuntária.
O céu torna-se previsível, ou chove ou faz sol.
O outono ,apenas mais uma estação e as flores sempre morrem no jardim.
A arte, passatempo de desiquilibrados.
A literatura, fuga dos sonhadores frustrados.
E nestes dias, acho o mundo tão cruel, sem graça nem cor.
E me percebo sendo alguém que não quero ser.
Rasgo minha pele e tento entrar em mim mesma
em busca de um pouco de esperança, ou um sorriso de criança
ou restos de tinta e músicas derramados no meu interior...
Busco a pureza perdida
o encanto...
me percebo a beira do abismo de mim...das minhas dúvidas e monstros criados,
sinto medo de escolher entre a realidade que o externo cobra.
e a fantasia que por dentro obra.
E sigo assim...
Tem dias que sou eu mesma
e em outros apenas represento todos os papéis
que o mundo me exige,
que as convenções me propõe como padrão.
Sem variações...sem perdões.
Sem muitas invenções.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sou toda mãos.

Minhas mãos são folhas,
Que sustentam bolhas, que suportam os ventos e os vendavais.
Minhas mãos são pincéis,
Que se fazem tinta e a extensão da alma, impressa na tela.
Minhas mãos são lápis e novamente folhas,
mas agora de papel, que imprimem fantasias,
arremedos de poesia e sentimentos vãos.
Minhas mãos são minhas pernas,
são meus olhos, meus ouvidos
e quase todos os meus sentidos....
...e elas se movem até com o simples ato de pensar.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

" Amanhã fico triste...amanhã!
Hoje não....Hoje fico alegre!
E todos os dias, por mais amargos
que sejam  eu digo:
Amanhã fico triste, hoje não..."

Poema encontrado na parede de um dos dormitórios do
campo de extermínio nazista de Aushewitz.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Dia Ruim ....

Incerta....sozinha...
confusa,
quase a beira de não se achar mais normal...
Quem sabe a solução seja mesmo prozac,
qualquer coisa que traga um pouco de sossego em cápsulas.
Que não me obrigue a este esforço que é compreender os outros
sem esquecer de mim mesma...
E esta solidão rodeada que me assola...me preenche de vazios cada vez
mais profundos,
Quem sabe seja apenas cansaço da luta...
Quem sabe , e acho que sei, seja a loucura que atinge os poetas...
a dor sentida, quando a permitimos vir a tona.
Este mundo apressado que me atropela...
A estática que se desprende do meu peito...
Mar de agonia...
de lágrimas não!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Maldade? Que tipo?

Outro dia, estava pensando na força que tem as palavras...
Pensando no fato de que sempre há alguém de cara , com esta maldita mania que
tenho de falar tudo o que me vem a tona...
Conclusão:

Sou má.!
Digo o que penso... ( e céus, são insanidades o que penso.)
Sinto e não explico... ( Fernando Pessoa já dizia: Pensar é não sentir...)
Tenho pressa... ( e lá me vem o Cazuza fazendo soar: O TEMPO NÃO PÁRA.)
Sou o que sou e pronto! ( e isso nem  Freud explica.)
Sou má!
Neste mundo fingido, ser verdadeiro é pura maldade.!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

sobre o ato de criar.

   

   Demasiadamente  mundanas para se elevarem a espírito...


      Humanas demais paras serem simples sombras...
   
     
      E como poderia ser diferente se o mundo me atravessa


      Reduzindo minha presença a quase nada???

dor.

Meus ouvidos falam,
o que meu corpo sente.
Dor de mente...
demente!
Faço a festa
Só convido minh'alma
Estendida no chão
observo....
o verde,
da grama,
da erva,
da mão.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Hoje acordei meio assim...
meio sem acordar,
um nonsense black total...que quer que isto seja!
foi isso que acordei sentindo.,
Vontade de dormir e acordar, desenhar e apagar...
de fazer coisas que me façam bem....que me devolvam aquilo que perdi e nem sei o que é.( E o que é que eu devo fazer???!)
Tem dias assim...que passam como se não devessem passar
tão indecisos eles são.
Seria demais querer algo???
Seria demais gargalhar??
Me jogo de alma no vazio que me habita,
E esta coisa desagradável inda me cerca...
E já não consigo mais criar realidades paralelas.
E não tenho mais lágrimas para lavar esta sensação doentia.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010








   Como posso sentir a forma,

   antes mesmo de saber o desenho?








" Dor", escultura em concreto celular.
Feita por estas mãos que aqui escrevem.

Dia ruim.

 


                          E há momentos, em que nada funciona
     
                          Melhor seguir em frente,

                         Deixando as impertinências....

                         A cargo das reticências...!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

           

                 Novo Ano,


                 Nada Novo,


                O Ovo, A Casca,


                De Onde Saimos,


                Continua Sempre Contínua,


                Sempre Inquebrável.





Sobre a interpretação alheia

                  

                                  Não que  eu não seja feliz

                                  Meus versos soam tristes

                                 Pois insistem em aproveitar-se
       
                                 dos meus momentos de agonia

                                 para comigo submergir.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Impressões.

As madrugadas me caem bem,
O nascer do dia...
O silêncio e a simplicidade da cidade que acorda sonolenta,
A rua e suas pedras tortas, espera também em silêncio
os passos apressados do mundo que desperta.
E eu como que num sonho percebo
os pedaços de céu que carrego em minhas mãos.

Os sonhos moram na ponta dos dedos.

Tão incertas minhas vontades,
Que tento já nem querer mais,
Se por onde passo a confusão se estabelece,
hoje procuro sequer estar.
Palavras tortas,
tranco a porta, da casa e da alma.
Para que minha dualidade não ultrapasse  meu próprio espaço.
              Minhas flores, Estão mortas!
              Meu jardim, Sem as estrelas!
E esse repetir-se que não cessa,
Como se tudo já houvesse sido feito ou pensado.
Só mesmo a borracha é que melhora esta indole fraca que possuem meus versos.
Só mesmo a morte para calar a voz destes dedos roucos que escrevem
como se estivessem construindo castelos para guardar os sonhos.

simplicidade.

Uma Chuva de pétalas amarelas
colore o chão, junto com os últimos raios de sol...
Um dia surreal, feito obra de Salvador Dali.
E eu a pensar poesias, a descrever quimeras.
Mais um dia, acaba.
Mais uma manhã, recomeça.
Divina comédia- da vida!
Divino espetáculo- do sol!
E a borboleta de tão encantada , pousa na flor do meu vestido.
                     

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Páginas e telas em branco,
durante dias!
Sorriso distante....
O peso concreto da obrigatoriedade diária.
Sonhos pendurados nos fios de um varal,
Poesias diluídas em quilos de sabão em pó.
Só restam bolhas,
feito pequenos mundos,
com seus sentimentos frágeis e dispersos
que espalham poesias transparentes pelo ar.

desdobramentos.

Minha alma vestiu-se de heavy metal...
Fez parceria com heróis loucos...
Deitou-se com amores tontos...
E achou pouco.
Vestiu-se de bailarina e beijou outra menina,
Só prá ficar na ponta dos pés.
Minha alma perdeu-se por entre os hippyes
Acreditou no amor livre...
na paz...
e partiu para a guerra...
Guerra comigo mesma, com este corpo
que ficou parado, estagnado,
nos momentos em que ela aprendia....
a ser mulher, a ser amante, a beber vida a todo instante.
Minha alma vestiu-se de deusa
e já não combina com este corpo mortal,
sem tempero,
sem sal.

Sobre a inutilidade das fugas.

Nem ópio, nem ócio
Nem absinto,
me libertam do labirinto....
Nem pó,
Nem beck,
Nem ice
Derretem o gelo que me cerca.

Indefinições de personalidade.


Nem sempre estou presente,
Nem sempre sou gente, que pensa e faz.
Sou ás vezes semente,
árvore dormente, que só faz balançar,
Nem sempre sou eu mesma,
nem sempre amo,
nem sempre quero,
Nem sempre sonho,
E nesses dias assim,
apenas espero...
o dia passar,
a vida voltar
e o inverno acabar.

Sobre aquilo que não pode ser palavra.

Não há nada que eu escreva, que possa contar
desse sentimento que sinto...
Feito vento frio, excitante,me faz arrepiar a pele...
Feito beijos, apenas imaginados.
Não há palavras que materializem esta presença imperceptível que me cerca...
energia de mundos perdidos,
entre esquinas de nuvens comestíveis e copos vazios de ócio,
onde me perco e encontro a cada poema teu.
Não há nada que eu escreva, que  descreva este caos de lógicas que me habita
Nada que explique, este desejo insano de sentir o mundo...



e de viver a vida sem fechar os olhos.